segunda-feira, outubro 5, 2026

Égua do Mestre! A História Pai d’Égua de Waldemar Henrique, o Caboco que Levou a Amazônia pro Mundo

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Égua, maninhos! Bora falar de um caboclo pai d’égua da nossa música que não deixou a nossa cultura ser esquecida.

A música no Brasil sempre esteve matutando pra achar uma identidade própria, né? Lá pelos anos de 1920 e 1930, o povo do Nordeste e da Bahia já tava buiado de fama. A boca miúda só falava neles, com gente gabaritada feito Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi e Capiba fazendo o maior sucesso. Mas a nossa Amazônia, cheia de visagem, lenda de boiúna e cultura ribeirinha, tava lá no canto, meio panema. A gente tava precisando de alguém pra dar uma forra e levar nosso folclore pros palcos finos de concerto.

E foi aí, meu parente, que apareceu o maestro Waldemar Henrique da Costa Pereira (1905–1995)! O cara era pulso, não era nenhum leso de meia tigela. Ele pegou a nossa cultura cabocla, misturou com a influência indígena, nordestina e afro-brasileira, e aplicou na mente do povo lá de fora. Não era só migué não, ele traduziu tudo pra música clássica, bem na maciota. Ficou só o creme mano!

Aqui o que a gente vai espiar nesse artigo, falar sem embaçamento:

  • A vida do mestre: Como esse téba superou as barreiras e virou o símbolo do Pará.

  • O som: A técnica dele que não era papo furado, era coisa de gênio, juntando o nosso sotaque com a música de câmara.

  • As amizades: As parcerias literárias que ele fez, deixando o nosso folclore selado na história.

Esse caboco é o bicho e fez a nossa história virar imortal. Bora imbora conhecer o legado desse mestre da região Norte!

Imagem restaurada com IA

O Início de Tudo: Waldemar Henrique e a Cisma pela Música

Égua, senta aí que a história é boa! O curumim Waldemar nasceu em Belém, no dia 15 de fevereiro de 1905, época que a cidade era só o creme mano! por causa da borracha. Filho de português com mãe de sangue indígena, o menino era um caboclo de respeito. Mas logo o diacho da tristeza bateu: a mãe dele levou o farelo quando ele tinha só um ano de idade.

Com seis anos, ele e o pai caparam o gato pra Portugal. Viveu lá um bom tempo, mas quando voltou pra cá, perto do fim da Primeira Guerra Mundial, com uns 13 anos, a vocação estourou. Só que o pai dele era carrancudo e achava essa história de ser artista muito palha. Queria que o rapaz fosse militar ou burocrata.

Estudando na Maciota e o Caminho pro Sucesso

Acha que o moleque obedeceu e desistiu da música? Teu cu! Ele foi estudar piano na maciota, bem escondido do pai. Rodou o interior da nossa Amazônia, ouviu as lendas, os contos de visagem e os sons da beira do rio. Logo aos 18 anos compôs a música “Minha Terra”, que ficou pai-d’égua.

Dá uma espiada na correria que foi a vida do mestre:

  • O Sufoco no Banco: O pai, mordido da vida, meteu ele pra trampar de escriturário. A vida ficou ralada e sem tempo, mas de noite ele ia pra boêmia mostrar sua pavulagem no piano.

  • A Decisão: Em 1929, o caboco mandou um já me vu pro banco e entrou de cabeça no Conservatório Carlos Gomes.

  • O Estouro: O cara era tão pulso que, entre 1931 e 1932, já tava dirigindo a Rádio Clube do Pará, tocando e ajeitando os arranjos para todo mundo.

Esse mestre nunca foi de fazer as coisas de meia tigela. Ele enfrentou a oposição, meteu a cara e virou o grande orgulho da nossa terra!

Tu já conhecias essa história de superação do maestro, mana(o)?

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Capando o Gato pro Rio: O Estouro de Waldemar e Mara

Égua maninho(a), quando chegou o final de 1933, Waldemar sacou que Belém tava pequena pra ele e resolveu capar o gato lá pro Rio de Janeiro. Aquele lugar era o centro de tudo, mas o nosso caboclo não era nenhum leso ou músico de meia tigela. Ele foi logo estudar com os caras que eram muito cabeça na música clássica, tipo o Barroso Neto e o Oscar Lorenzo Fernandez.

Ele meteu a cara de vez na cena carioca. Trabalhou na rádio, nos teatros de revista e cassinos chiques, provando que era bom de serviço. Mas o que foi só o creme mano! mesmo foi a parceria com a irmã dele, a Mara Costa Pereira. A cantora tinha uma voz pai-d’égua e eles faziam a maior pavulagem nos salões dos ricos, levando o nome da Amazônia. Pra tu teres ideia, eles estrearam no Cassino do Copacabana Palace em 1936! Não é potoca não. Os dois tavam tão buiados de sucesso que viajaram o Brasil todo e foram até pra Europa representando a cultura do nosso país, a pedido do Itamaraty.

Os Discos e a Parceria Selada com os Modernistas

O sucesso do nosso maestro era selado. Dá uma espiada em quem gravava os sons que ele fazia:

  • Em 1933, Alda Verona gravou a valsa “Meu Amor” e, no ano seguinte, levou o Prêmio Victor com a música “Exaltação”.

  • O gigante Gastão Formenti, junto da Orquestra do mestre Pixinguinha, imortalizou obras como o batuque “Tem Pena do Nego” e a toada “Foi Boto Sinhá” (ambas em 1934).

Lá pra 1935, ele foi a São Paulo e conheceu o chefão do modernismo, o Mário de Andrade. Mário ouviu as músicas do Waldemar e viu que ali o folclore amazônico não era papo furado e tinha muita verdade. Ele apadrinhou o nosso maestro e o apresentou pra toda a cambada de artistas importantes, botando respeito na crítica que antes olhava meio torto pro pessoal do Norte.

O Waldemar era pulso e não se curvava pra modinha de fora não. Chegou a conhecer um tal de Koellreutter que fazia um som atonal (tudo matemático e abstrato), mas achou aquilo muito palha. O negócio dele era falar sem embaçamento sobre a nossa cultura, mantendo a sinceridade da música e os ritmos que o nosso povo entendia.

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A Mágica do Som: O Jeito Pai-d’égua de Compor

Égua, maninho(a)! Se tu achas que o mestre Waldemar Henrique fazia música de qualquer jeito, te enganas. O cara catalogou mais de 120 canções que misturavam o chique da música erudita com o balanço do povo sem fazer esforço. Os temas das músicas eram só o creme mano!: falavam das nossas lendas de visagem, da força da mitologia indígena, da vida do nordestino e dos rituais afro-brasileiros.

A Letra Mandava na Música

Na técnica dele, o caboco não inventava potoca. Pra ele, o texto vinha primeiro e ditava as regras do jogo. Dá uma espiada em como funcionava a cabeça genial do maestro:

  • Ele não gostava daquelas notas super enroladas das óperas de fora; usava uma nota cantada pra cada sílaba, justamente pra falar sem embaçamento e contar a lenda direito.

  • A voz do cantor não dava passamento de cansaço, porque a melodia era pensada pra ser confortável, quase sem forçar o gogó.

  • A música servia para “vestir” as palavras, deixando a história ribeirinha clara e di rocha pro público entender.

O Piano Não Ficava de Bubuia

Longe de ser uma coisa de meia tigela, o piano nas músicas dele não ficava de bubuia só fazendo acompanhamento. O piano era o grande contador de histórias!

Pra tu teres ideia, na música “Curupira”, as notas rápidas no teclado mostram direitinho o bicho correndo desembestado no mato, enquanto o som grave vai caindo pra deixar o caçador com o cu na mão de medo. Já na famosa toada “Foi Boto, Sinhá”, o piano cria uma tensão batendo o ritmo do siriá, direto de Cametá. O maestro usava até as pausas e os silêncios pra criar um suspense teatral e mostrar a mistura de desejo e tragédia que o boto traz, deixando quem ouve pagando de tão admirado.

Cantando Igual Caboco: A Manha da Voz e da Atuação

Égua, pra cantar as músicas do maestro Waldemar Henrique não basta só ter destreza na afinação e no gogó, não! O intérprete precisa entender a cultura e incorporar de corpo e alma o jeito de falar do caboclo ribeirinho. Se ele não fizer essa imersão, a obra perde o sentido e o trabalho acaba ficando de meia tigela.

Pra falar sem embaçamento a nossa língua na hora de cantar e seguir as regras da fonética, o artista precisa ficar atento a esses pontos:

  • Tem que puxar aquele “S” chiado bem típico no meio ou no fim das palavras (como em “mach” ou “mechmo”), contrastando com o sotaque limpo do pessoal de fora.

  • É obrigatório dar uma sumida com o “R” no fim dos verbos no infinitivo (tipo “tentá”, “chorá”, “vigiá”).

  • O “O” átono no fim das palavras (como em “doutô” e “sinhô”) tem que virar “U” pra rima ficar di rocha com a nossa fala popular autêntica.

O Bicho Pega no Palco

Na hora da apresentação, o artista não pode ficar duro no palco igual um leso. Ele tem que começar a interpretar com o rosto e com o corpo já nos primeiros compassos da introdução do piano, mantendo esse clima narrativo até a última nota desaparecer no salão. Como as lendas mudam de foco toda hora, o cantor tem que mudar a atitude na hora, quase como se estivesse fazendo um monólogo de teatro.

Quando for cantar uma obra mística com carga pesada feito “Tamba-Tajá”, a parada é séria e não é potoca. O cantor tem que ter uma postura que beira a religiosidade e a prece pagã, demonstrando absoluto respeito à crença inabalável que o caboco tem nos poderes daquela planta sagrada. Qualquer caricatura ou ironia aí ia deixar a interpretação muito palha.

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As Parcerias de Respeito e o Poeta Tavernard

Fala, galera! O mestre Waldemar Henrique não era músico de meia tigela que se trancava pra compor tudo sozinho não. Ele era escovado e andava colado com quem era muito cabeça no mundo da leitura e das artes.

Dá uma espiada na parceria que fez história:

  • A junção mais pai-d’égua dele foi com o poeta paraense Antônio Tavernard (o mesmo que fez o hino do Remo). O cara era o bicho nas letras!

  • Lá por 1933, dessa união nasceram clássicos que são só o filé, como “Matintaperera” e “Foi Boto, Sinhá!”.

  • Na lenda do Boto, os versos mostram o sofrimento da mulherada que acabava mundiada pelo encantado. E não é potoca não: a música ficou tão forte que virou uma verdadeira tragédia de teatro.

Tamba-Tajá: Uma Lenda Macuxi Di Rocha

Apesar de cheio de amigos, a música mais famosa dele, “Tamba-Tajá”, ele fez todinha sozinho, letra e melodia. É um causo triste e lindo de uma lenda Macuxi que deixa qualquer um pagando de emoção:

  • Conta a história de um casal de índios fugindo. A índia adoece e, infelizmente, leva o farelo.

  • O guerreiro não aguenta o passamento da perda e se enterra vivo abraçado ao corpo do seu amor.

  • Nesse lugar, nasceu a planta Tamba-Tajá, que tem uma folhinha menor protegida nas costas da folha grande.

  • Musicalmente, a obra é maceta! Ele usa praticamente só duas notas (Mi e Fá) pra cantar, mas o balanço dolorido do piano é o que carrega toda a mágica da música.

O Caboco Metendo a Cara no Nordeste

E tu achas que ele só tocava música sobre a Amazônia? Mas quando!. Em 1958, o nosso papa-chibé meteu a cara e topou o desafio de fazer a primeiríssima versão musical do poema “Morte e Vida Severina”, do pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Ele foi muito pulso e mostrou que conseguia traduzir a secura e o sofrimento do nordestino pros palcos com a mesma lindeza que falava das nossas visagens ribeirinhas, levando até prêmio de jornal famoso na época.

A Fé do Caboco e as Lendas Sagradas

Pra ele, as nossas lendas ribeirinhas e as histórias de visagem não eram historinhas de meia tigela não. Ele tratava tudo com um respeito que era só o creme mano!, vendo nelas uma espiritualidade autêntica e profunda que vinha direto da nossa terra.

A galera mais chegada, tipo o ex-secretário dele, Sebastião Godinho, contava que o misticismo do mestre na intimidade era o bicho. Dá uma espiada em como era a rotina de fé dessa fera:

  • Dentro de casa, a parada era levada a sério; ele montou logo dois oratórios finíssimos, bem macetas.

  • O caboclo tinha uma disciplina de rezar religiosamente todo dia às 5h30 da manhã, e fechava o dia com mais oração lá pelas 18h30 (bem na buca da noite), antes de se amalocar pra dormir.

  • No altar principal dele, não tinha separação: a Virgem Maria e os santos católicos dividiam o espaço numa boa com as entidades da umbanda, os guias caboclos e até com deuses lá da Índia.

  • Não era potoca: pra ele, não tinha barreira dogmática. Se a manifestação da fé fosse sincera, era sagrada e ponto final, selado!

A Bússola e os Sons de Terreiro

Olha o papo desse bicho: a ligação do mestre com o magnetismo e com as energias da natureza era tão forte que ele andava para cima e para baixo com uma bússola de bolso. Aonde quer que ele chegasse, dava os seus pulos e a cama tinha que estar incondicionalmente apontada para o Norte magnético. Tu é doido, o cara era muito cabeça!

Foi essa mesma sensibilidade pai-d’égua que fez ele musicar, no final de sua carreira, os pontos sagrados de candomblé e umbanda, colocando eles na mesma altura e com o mesmo respeito da música clássica. O maestro era pulso e atuou como um verdadeiro sacerdote dos sons do nosso Brasil!

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A Gestão Cultural Pai-D’égua do Maestro no Theatro da Paz

Fala, galera do Ver-o-Peso! O mestre Waldemar Henrique não ficava só de bubuia tocando piano, não. O nosso caboco meteu a cara e pegou pesado pra administrar e democratizar a cultura no Brasil.

O Theatro da Paz, lá em Belém, construído na época da borracha, era praticamente a casa dele. Ele dirigiu o lugar por mais de dez anos e não tinha pavulagem com ele! Antes, o palco principal era reservado só pras companhias gringas da Europa fazerem ópera. Mas o mestre achou esse elitismo muito palha e acabou com a frescura, colocando os grupos de teatro daqui, os corais amadores e as orquestras da nossa região pra se apresentar.

  • Ele não perdia quase nenhuma apresentação, ficando sempre de mutuca em tudo que acontecia no teatro como um verdadeiro espectador apaixonado.

  • Com ele no comando, o Theatro da Paz virou o maior ponto da nossa música folclórica e o acesso à arte ficou democrático di rocha.

  • Ele provou que era um gestor pulso e que valorizava os artistas da nossa terra.

E não parou por aí! Ele também capou o gato pro Rio de Janeiro, trabalhando ativamente no Departamento de Cultura e no Theatro Municipal de lá. O cara era tão genial que, em 1981, já velhinho, foi eleito pra Academia Brasileira de Música (ABM), assumindo a Cadeira número 03 (que depois foi assumida pelo folclorista Vicente Salles). E pra passar a régua nessa história de sucesso, lá em 1976 ele já tinha garantido o seu lugar de imortal na Academia Paraense de Letras. A moral do homem na gestão pública era só o creme mano!

A Ruma de Discos: Do Tempo do Rádio Até os Long Plays

Égua, a história desse caboclo não para por aí! Mesmo com uma carreira só o creme mano! e um sucesso maceta lá pelas décadas de 1930 e 1940 — tudo isso empurrado pelas gravações pai-d’égua naqueles discos fininhos de 78 rotações, cantadas por vozes de respeito como Gastão Formenti, Alda Verona, Luri Santiago e Francisco Alves —, a gravação di rocha de toda essa obra no formato modernoso do Long Play (LP) demorou um bocado de décadas pra sair em álbuns inteirinhos só com as composições dele.

Aqui embaixo, dá uma espiada no quadro que a gente separou, mostrando os LPs que são os verdadeiros tesouros pra não deixar a genialidade desse mestre levar o farelo e ficar guardada pra sempre:

 

Ano de Lançamento Intérprete(s) Título da Obra/Álbum Fonográfico Gravadora / Selo Importância Histórica e Musicológica
1956 Jorge Fernandes Música de Waldemar Henrique na Interpretação de Jorge Fernandes Sinter Marco inaugural do compositor no formato moderno. Foi o primeiro disco de longa duração (LP) dedicado inteiramente e de forma exclusiva às composições autorais do maestro. Gravado em um momento de plena consagração de seu repertório, consolidou as interpretações canônicas de viés romântico e regional, preservando a prosódia correta de clássicos do folclore nortista4.
1982 Alexandre Trik (Voz/Baixo) e Helena Maia (Piano) Waldemar Henrique – O Canto da Amazônia Funarte (Selo Promemus – MMB 82.029) Uma iniciativa magna financiada pelo poder público (Funarte). Este álbum monumental dividiu-se de forma estritamente didática e acadêmica nas sessões: Lendas Amazônicas, Pontos Rituais e Danças Brasileiras. O próprio Waldemar, já idoso, acompanhou e supervisionou o projeto, cujo escopo central visava a preservação erudita de sua obra câmara. Além de “Curupira” e “Uirapuru”, eternizou rituais de matriz africana profundamente pesquisados pelo maestro, como “Sem seu” e “Abaluaiê”30.

Estes registros históricos, em especial a captação cristalina de 1982 e as antologias na voz de Jorge Fernandes (1956), foram e continuam sendo absolutamente fundamentais para que as novas gerações de pesquisadores, arranjadores e intérpretes tivessem acesso às fontes estilísticas primárias, às marcações dinâmicas e ao andamento rítmico exato pensado organicamente pelo compositor32. A louvável iniciativa da Funarte em 1982 cumpriu também a função de registrar as “pontes rituais” na obra de Waldemar, que incluiu com rigor etnomusicológico a recolha cuidadosa de pontos legítimos de candomblé da Bahia, como os impactantes “Abaluaiê” e “Sem seu”, além da formatação de complexos xangôs originários do estado de Pernambuco. Isso demonstrou inequivocamente o profundo e imenso alcance antropológico que a curiosidade intelectual de Waldemar atingiu, catalogando ritmos de matriz afro-brasileira espalhados pelo território nacional com a mesmíssima seriedade reverencial, erudição e zelo acadêmico dedicados à preservação dos mitos e cânticos indígenas da selva30.

Além dos registros em áudio, seu legado documental manifestou-se também através das letras, como atesta a publicação bibliográfica Waldemar Henrique – O Canto da Amazônia, chancelada pela própria Funarte em 1978, cravando os seus conceitos no papel para a perenidade dos estudos folclóricos e musicológicos do Brasil1.

O Teatro Waldemar Henrique: A Casa da Nossa Resistência Pai-d’égua!

Égua, galera do ver-o-peso.com! Se tu achas que a moral do mestre Waldemar Henrique ficou só nas partituras de música, tu és leso! O caboclo foi tão maceta que virou monumento e logradouro gravado no cimento da nossa Belém. Pouquíssimos artistas no Brasil tiveram essa honra de virar símbolo da geografia urbana di rocha, ganhando esses aplausos ainda em vida ou logo depois de levar o farelo.

O Teatro Experimental e a Luta da Classe

Bem ali na Avenida Presidente Vargas, o Teatro Experimental Waldemar Henrique abriu as portas no dia 17 de setembro de 1979. E não foi um projeto burocrático de meia tigela, não! Foi o povo da arte que meteu a cara e exigiu um espaço que fosse só o creme mano! para a nossa cultura.

  • Enquanto o centenário Theatro da Paz era aquele palco cheio de pavulagem pra elite política e pras óperas finas, o Waldemar Henrique chegou com uma arquitetura diferentona e eclética (com uns traços de art nouveau) pra ser o coração da vanguarda e do experimentalismo.

  • Era o verdadeiro refúgio da galera do Grupo Experiência e do Teatro Universitário do Pará, que muita vezes ficava com o cu na mão por causa da dura repressão dos anos 70, mas não arredou o pé da resistência política.

  • A classe operária das artes (autores, encenadores e técnicos) deu os seus pulos e fez um ato público gigantesco. Eles provaram que o local já nascia na garra e na força do povo, sem levar pisa calado!

A Derrubada do Muro e o Orgulho Caboco

E ti mete nessa história de arrepiar: no dia 21 de janeiro de 1997, rolou a apoteótica “derrubada do muro da discórdia”. Os artistas se culiaram e, num happening épico com o apoio da SECULT, meteram a marreta pra esbandalhar de vez as barreiras físicas e institucionais que restringiam o teatro. Foi o fim daquela bandalheira de proibições, garantindo a posse democrática do prédio pra livre produção cultural!

Dá uma espiada em como o espaço é hoje:

  • O bicho tem um formato interno de concha acústica pai-d’égua, com um mezanino adaptável.

  • A arquibancada é intimista, deixando o ator quase na ilharga do espectador, cabendo umas 200 pessoas bem confortáveis.

  • O local tá tão buiado de moral e importância diplomática que foi o escolhido pra abrigar o cobiçado Espaço Central da Sociedade Civil durante a COP30, que vai rolar aqui em Belém em 2025. Já é, selado!

Waldemar e Mara (Imagem restaurada com IA)

A Praça Monumento Waldemar Henrique: A Partitura Esculpida em Pedra

Égua, galera do veropeso.shop! Se tu achas que a moral do nosso maestro acabou nos palcos, tu és leso! No dia 17 de janeiro de 1999 (bem no aniversário de fundação de Belém), a prefeitura entregou a Praça Waldemar Henrique. O espaço não é uma obrinha de meia tigela não; é uma homenagem colossal, de concreto e bronze, pra não deixar a memória do homem levar o farelo. O lugar fica bem ali, na ilharga do bairro do Comércio com o Reduto.

O projeto é maceta e cheio de referências pai-d’égua que vão te deixar pagando:

  • O Formato dos Instrumentos: O palco central é gigante e igualzinho a um piano de cauda, o grande parceiro da vida do maestro. E não para por aí: a área de brincadeira das crianças tem a forma de um violão.

  • O Piso Musical: O chão de pedra portuguesa (branca e preta) não foi feito de qualquer jeito. Ele reproduz di rocha a partitura da música “O Canto do Uirapuru”. É pra gente andar por cima da música, literalmente!

  • Acústica de Cuia: A concha acústica, que serve para amplificar o som das festas folclóricas, foi desenhada no formato de uma cuia de tacacá. Juntar a engenharia com a nossa cultura indígena foi só o creme mano!

  • Os Encantados de Bronze: Bem no coração da praça, tem um painel porrudo com o rosto do mestre, e em volta dele estão esculturas de bronze do tamanho de gente normal. Estão lá o Boto, a Matinta-Perera, a Iara, o Caboclo Falador, o Uirapuru e o Boi. Todos os nossos seres e visagens observando o trânsito!

Lá pelos anos 2000, o lugar ficou meio avacalhado e abandonado, a ponto de dar passamento de tristeza em quem via. Mas, no final de 2020, a prefeitura e a Fecomércio (SESC) meteram a cara e deram um trato na praça. Revitalizaram tudo, melhoraram a iluminação e a segurança, garantindo que o espaço voltasse a ser um polo cultural selado bem no meio da nossa capital paraense.

Já me vu!

Imagem restaurada com IA

O Fim da Linha e a Imortalidade do Canto Amazônico

Égua, galera do ver-o-peso.com! Chegamos no final da história desse mestre.

O nosso grande Waldemar Henrique levou o farelo bem aqui na nossa Belém, no dia 29 de março de 1995. O caboco tava com 90 anos e foi duro na queda contra um câncer e o cansaço do tempo. Mas te orienta: a morte física dele foi só o começo da imortalidade no mundo da música!

O Bicho na Avenida Antes de pegar o beco pra sempre, lá em 1985 (quando fez 80 anos), ele viu uma parada pai-d’égua: a vida dele virou tema de escola de samba no nosso carnaval! Foi a prova di rocha de que a música dele não ficou presa naqueles teatros cheios de pavulagem. O som voltou pro asfalto e pro gogó do povo mestiço!

A Ponte Entre Dois Mundos O mestre era pulso e não tinha lero lero. Ele misturou a nossa cultura da beira do rio com a música clássica do mundo todo. Lembra que ele cresceu à pulso na música, escondido do pai? Pois é! Quando ele capou o gato pro Sudeste, conheceu os modernistas, mas achou aquele som gringo atonal muito palha e não quis imitar. Ele ficou enrabichado mesmo foi com as nossas toadas e com a tristeza dos igarapés.

O Legado que Ficou Hoje em dia, a Amazônia Jazz Band toca os arranjos macetas que ele deixou. E quando os corais de fora cantam “Foi Boto, Sinhá” ou “Tamba-Tajá”, não é só música erudita não, maninho(a)! É uma invocação das nossas visagens e da força do ribeirinho.

Pra passar a régua, Waldemar Henrique não foi um músico de meia tigela. Ele foi o arquiteto sonoro que fez o Brasil respeitar o Norte. O nome dele tá selado nos teatros e nas partituras desenhadas no chão da praça. A arte desse papa-chibé é só o creme mano! e vai viver pra sempre!

Já me vu!

Referências citadas

  1. Waldemar Henrique – Wikipédia, a enciclopédia livre, https://pt.wikipedia.org/wiki/Waldemar_Henrique
  2. Waldemar Henrique – Enciclopédia Itaú Cultural, https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/3950-waldemar-henrique
  3. Quem foi Waldemar Henrique? Músico dá nome a famoso teatro de, https://portalamazonia.com/cultura/waldemar-henrique-teatro-para/
  4. Waldemar Henrique, o compositor do folclore brasileiro, https://www.aoredor.blog.br/post/waldemar-henrique
  5. Costa da Silva, Edilson Mateus. Waldemar Henrique e Gentil Puget, https://tidsskrift.dk/bras/article/download/119777/169144/254546
  6. Waldemar Henrique – Dicionário Cravo Albin, https://dicionariompb.com.br/artista/waldemar-henrique/
  7. RELEMBRANDO O COMPOSITOR WALDEMAR HENRIQUE, https://www.marcelobonavides.com/2019/02/waldemar-henrique-114-anos.html
  8. Waldemar Henrique: Compositor de Belém – SABRA – SABRA, https://www.sabra.org.br/site/waldemar-henrique/
  9. Waldemar Henrique: Uma Biografia – Música Brasileira, https://musicabrasileira.org/waldemar-henrique-uma-biografia/
  10. Alessandro Freitas | Alexandre Diettrich | Brasilena Trindade, https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/701337/4/M%C3%BAsica%20Cultura%2C%20Pr%C3%A1ticas%20e%20Inova%C3%A7%C3%B5es%20-%20Volume%203.pdf
  11. Bruno Renato Lacerda, https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/95125/lacerda_br_me_ia.pdf?sequence=1
  12. ( PDF ) Lendas amazônicas de Waldemar Henrique – Livros Grátis, https://www.livrosgratis.com.br/ler-livro-online-121801/lendas-amazonicas-de-waldemar-henrique–um-estudo-interpretativo
  13. LENDAS AMAZÔNICAS DE WALDEMAR HENRIQUE, https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-7XNHAY/1/dissertacao_isabela_santos_2009.pdf
  14. https://www.scielo.br/j/ea/a/GwrP5ktwYRMWbfkjnNRSyFk/?lang=pt
  15. Análise das Canções de Waldemar Henrique | PDF | Músicas – Scribd, https://pt.scribd.com/document/244899140/WALDEMAR-HENRIQUE-BarrosMariadeFatimaEstelita
  16. xi bienal de música brasileira contemporânea – Arte de Toda Gente, https://artedetodagente.com.br/wp-content/uploads/2023/11/11-bmc-1975.pdf
  17. ROBERT MADEIRO DIAS, https://repositorio.ufpa.br/bitstreams/6a4bb743-1245-4faa-b783-10756fa8e368/download
  18. Antônio Tavernard – Wikipédia, a enciclopédia livre, https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Tavernard
  19. ANTONIO TAVERNARD, assim como Icoaraci, foi esquecido, http://aldemyrfeio.blogspot.com/2012/11/antonio-tavernard-assim-como-icoaraci.html
  20. Revista da Academia Paraense de Letras 1961 – Obras raras, https://obrasraras.fcp.pa.gov.br/publication/file/periodicos/revista-da-academia-paraense-de-letras-1961/119/
  21. caminhos da invenção artística e folclórica da música negra na, https://www.scielo.br/j/his/a/48qRPSgJgSrTw9HVrfNmxrH/?lang=pt&ilang=es
  22. Significado da música TAMBA-TAJÁ (Waldemar Henrique) – Letras, https://www.letras.mus.br/waldemar-henrique/417562/significado.html
  23. Viva, Waldemar Henrique! – DOL, https://dol.com.br/entretenimento/cultura/561874/viva-waldemar-henrique
  24. Theatro da Paz faz 146 anos e homenageia Carlos Gomes e, https://www.theatrodapaz.com.br/noticias/theatro-da-paz-faz-146-anos-e-homenageia-carlos-gomes-e-waldemar-henrique
  25. Waldemar Henrique e Theatro da Paz traduzem na arte a história e, https://www.oliberal.com/cultura/waldemar-henrique-e-theatro-da-paz-traduzem-na-arte-a-historia-e-cultura-da-amazonia-1.1084965
  26. Acadêmicos – ABM – Academia Brasileira de Música, https://abmusica.org.br/academicos/
  27. Música de Waldemar Henrique (part. Jorge Fernandes) – Cifra Club, https://www.cifraclub.com/waldemar-henrique/discografia/musica-de-waldemar-henrique-part-jorge-fernandes/
  28. Jorge Fernandes – Artista – IMMuB, https://immub.org/artista/jorge-fernandes
  29. Artistas paraenses poderão ter obras declaradas como Patrimônio, https://alepa.pa.gov.br/Comunicacao/Noticia/5154/artistas-paraenses-poderao-ter-obras-declaradas-como-patrimonio-cultural-e-imaterial-do-para
  30. LP Waldemar Henrique – O canto da Amazônia (Alexandre Trik e, https://www.youtube.com/watch?v=K57f2GcsEDg
  31. Waldemar Henrique – Vinyl, CDs, & More – Discogs, https://www.discogs.com/pt_BR/artist/759923-Waldemar-Henrique
  32. (PDF) ” Uma Visão Sobre a Interpretação das Canções Amazônicas, https://www.academia.edu/37223803/_Uma_Vis%C3%A3o_Sobre_a_Interpreta%C3%A7%C3%A3o_das_Can%C3%A7%C3%B5es_Amaz%C3%B4nicas_de
  33. Teatro Waldemar Henrique completa 45 anos e se consolida como, https://portalolavodutra.com.br/materias/teatro_waldemar_henrique_completa_45_anos_e_se_consolida_como_espaco_de_formacao_e_liberdade_artistica
  34. O Guia de Espaços Teatrais de Belém, https://palcobelem.com.br/baixarguia
  35. 35 anos do Teatro Waldemar Henrique – Uruá-Tapera, https://uruatapera.com/35-anos-do-teatro-waldemar-henrique/
  36. Teatro Waldemar Henrique – Palco Belém, https://palcobelem.com.br/local/teatro-waldemar-henrique
  37. Teatro Experimental Waldemar Henrique – Mapa cultural do Pará, https://mapacultural.pa.gov.br/espaco/3247/
  38. Teatro Waldemar Henrique completa 45 anos e se consolida como, https://tvcbrasil.com.br/noticia/2611/teatro-waldemar-henrique-completa-45-anos-e-se-consolida-como-espaco-de-formacao-e-liberdade-artistica/amp
  39. Central da COP ocupará o Teatro Waldemar Henrique, em Belém, https://oc.eco.br/central-da-cop-ocupara-o-teatro-waldemar-henrique-em-belem/
  40. Praça Waldemar Henrique – Monumentos de Belém, https://www.monumentosdebelem.ufpa.br/index.php/monumento/waldemar
  41. Belém, a Francesinha do Norte – Pará – Brasília na Trilha, https://www.brasilianatrilha.com/belem-a-francesinha-do-norte/
  42. o caso da Praça Waldemar Henrique na cidade de Belém (PA), https://periodicos.ufmg.br/index.php/geografias/article/view/26580/30173
  43. Prefeitura de Belém já conclui os preparativos da praça Waldemar, https://infraestrutura.belem.pa.gov.br/cultura-popular-prefeitura-de-belem-ja-conclui-os-preparativos-da-praca-waldemar-henrique-para-a-quadra-junina/
  44. Praça Waldemar Henrique é entregue totalmente revitalizada, https://redepara.com.br/Noticia/217352/praca-waldemar-henrique-e-entregue-totalmente-revitalizada
  45. Praça Waldemar Henrique será revitalizada em parceria … – O Liberal, https://www.oliberal.com/belem/praca-waldemar-henrique-sera-revitalizada-em-parceria-com-a-federacao-do-comercio-1.1018545
  46. Prefeitura e Fecomércio assinam acordo para revitalização da, https://www.portalolavodutra.com.br/materia/prefeitura_e_fecomercio_assinam_acordo_para_revitalizacao_da_praca_waldemar_henrique
  47. Amazônia Jazz Band se torna Patrimônio Cultural Imaterial de, https://www.portalliv.com/materias/amazonia-jazz-band-se-torna-patrimonio-cultural-imaterial-de-belem-apos-mais-de-30-anos-de-historia

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